terça-feira, 8 de março de 2022

MIDNIGHT ODYSSEY



Enquanto realizo um trabalho que não exige muita reflexão, sobra concentração para ouvir um pouco de música. Fiz uma escolha feliz ao encontrar algo que me desse prazer. Eu já conhecia o álbum Funerals from de astral sphere, do Midnight Odyssey, de uma ou duas audições. Ele reúne o clima sutil de um teclado de fundo e camadas também sutis do instrumental e do vocal do black metal. Pelo menos nesse disco, essa combinação me agrada. E olha que o álbum tem mais de duas horas

O caminho que eu percorri para chegar no disco do Midnigh Odyssey foi uma pesquisa que fiz há muitos anos dentro do gênero do funeral doom metal. Na época, estava escrevendo minha tese de doutorado, que tratava de temas sombrios colocados em relevância pelo romantismo. Depois de um dia cansativo de trabalho, precisava de um ambiente estimulante para estudar e escrever. Desligava todas as lâmpadas, acendia velas por toda a casa e em torno do meu material de estudo e gastava um tempo pesquisando alguma trilha sonora. Havia já um álbum de que gostava muito, o Antithesis of light, do Evoken, na linha de som de que estou falando. A partir dele, montei uma lista com os nomes básicos do estilo como Thergothon, Disembowelment, Ahab, Skepticism. Há alguns não mencionados de que eu gostava muito, mas cuja relação de nomes e discos eu perdi.

Um problema que há em ouvir música e trabalhar é se você não tem um equipamento com som muito claro ou se precisa se concentrar muito na sua tarefa. Se montar uma lista grande de discos para ouvir, acabará por não ter nem cinquenta por cento da experiência que a audição de tudo isso poderia lhe proporcionar. Para mim, é difícil sair desse ciclo. No final do dia, tenho algumas horas de folga. Mas, nesses momentos, minha disposição maior é para assistir filmes e ler romance.

segunda-feira, 7 de março de 2022

ANDRÓIDES SONHAM COM OVELHAS ELÉTRICAS?

Ontem comecei a leitura de Andróides sonham com ovelhas elétricas?. Esse romance foi publicado em 1968 por Philip K. Dick, que já era autor premiado na ficção científica. Andróides ficará famoso para o grande público com sua adaptação para o cinema Blade Runner: o caçador de andróides. 

Um dos meus principais passatempos são filmes de ficção científica. Principalmente de extraterrestres e de inteligências artificiais. Agora veio a curiosidade por literatura de ficção científica.  

O romance já ficou interessante a partir de uma descrição de episódio apocalíptico do fim do primeiro para o começo do segundo capítulo. Parece que na década de 90 do século passado, nosso mundo entrou em uma guerra nuclear. Para um azar menor da humanidade, havia planetas para onde os sobreviventes poderiam emigrar. Tinham direito a levar, de graça, um andróide para os servir para o que quer que fosse. Rick Deckard (que vai ser interpretado por Harrison Ford no filme) é um dos milhares que teimam em permanecer na Terra. Em meio a chuvas e poeira radioativas, tinha que fazer sempre exame para atestar sua saúde para as autoridades. Não saía do planeta decadente por causa de seu emprego: caçar andróides. Como ganhava comissão, seria esse trabalho que o ajudaria a realizar o seu sonho de adquirir um animal de estimação que não fosse andróide. Os bichos eram raros depois da guerra e traziam status ao possuidor. O que ele tinha era uma ovelha elétrica. Ela substituía a real que ele perdera.

Para criar uma ilusão de entrada na mente criativa de Philip K. Dick, assisti, logo no início da leitura do livro, 2001: uma odisseia no espaço. O filme de Kubric foi lançado no mesmo ano de Andróides. Tirando os vinte minutos finais - que custo a apreciar até hoje -, dá para perceber o quão convincente era Kubric nos designs das aeronaves e na atmosfera para os padrões até atuais. Pelo menos por tudo o que acompanho desse tipo de filme. Por isso que vou cobrar do livro de Dick o mesmo alcance, mesmo a uma distância de mais de meio século de tecnologia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

2034

Laguna morrerá aos cinquenta e sete anos. Há alguma coisa a ser feita quando a vida deixa de ser interessante. Calcular vinte anos para o fim faria com que o que restasse da vida tivesse mais valor. Amar de uma maneira melhor. Ou não se importar tanto com quem vai embora. Vinte anos é quase como não se houvesse futuro. Isso existe para o garoto que se vê como o pai de amanhã. E esse não é um tempo contado. Quanto se sabe a ocasião da morte, haverá maior felicidade se coisas boas puderem se repetir. 

Por mais verme que se possa sentir, ainda pode haver orgulho suficiente para se desejar o conforto básico de um animal. Agora, Laguna sente que é ingrato. Sim, ainda se apega a uma felicidade de décadas atrás. Isso é lucro para quem não quer voltar atrás. Ele vê como lucro o que vem do passado. 



II



Especular um prazo para uma felicidade definitiva é como dar uma última chance a ela, colocá-la na parede. Laguna é exigente. Não aceita que uma época perfeita até em suas dores tenha tido um fim.

         Mas, e se contar o tempo for como contar o dinheiro necessário na hora de programar uma viagem tão esperada? É isso, Deus! No fundo, Laguna nunca desistiu da vida. Não que isso seja algo que ele goste de ensinar. Já há muitas pessoas inteligentes no mundo.  Na verdade, essa resistência é como o esforço do garoto em pedir água e comida em um país estrangeiro. Instinto. O que falta é que as coisas não sejam como a corrente de água, tão previsível. Laguna quer que sua vida seja algo que possa causar comoção seja qual for a parte dela sobre a qual ele reflita. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

EM ALGUMA BALADA

EM ALGUMA BALADA


Há muito dinheiro em jogo em certas coisas. Não adianta pegar aquela menina legal se não tiver gasolina. Até porque dá para meter no banco de trás.
         Ela não se importa, pois quer destruir os escrúpulos na medida em que os homens a respeitem, mas continuem querendo transar com ela. Sim, o sexo pode ser comentado dessa maneira prática. Pode-se sorrir com certa condescendência ao se contar o quanto aquele cara da noite passada é desprezível.
         O dinheiro é uma espécie de pau. E dos bons, pois parece funcionar sozinho. Aquele tênis hipnotiza. É só não ser muito otário. Os sorrisos e os abraços virão logo. E uma garrafa cara continuará a garantir a noite.

         E o cara olha sorrindo para os amigos para verificar o sucesso deles e o próprio. Ele não sairá perdendo, de qualquer maneira, pois dirá que furou. E, por incrível que pareça, os amigos não terão a mínima dúvida. Ficarão até felizes.

HOWE



Ela ainda não se recobrou da surpresa. Quem ela achava ser seu amigo, a avisara de que nunca mais dormiria depois do que tinha para lhe contar. Sua mãe tinha sido abusada por anos durante a adolescência.
Howe se pergunta por que não poderia ter sido com ela, se não seria culpa sua. Agora, pouco importa se está passando pela rua onde estão as lembranças de seus primeiros amores. O fato de não estar com eles é, agora, culpa sua.

Amanhã é dia de ir à faculdade. Mas já não há futuro. Ela nem consegue pensar no quanto poderá sofrer. Sem amigos e festas. Sem voltar para casa e encontrar a família. Como alguém  pode viver no mundo sem o amor dentro de si?! Enfim, ver sua beleza no espelho também não adianta. Howe não quer que a noite seja tão longa.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Funeral

I
"Onde está o meu corpo?! Quem me devolve?! Eu queria tanto ficar com ele. Ainda essa vez! Nesse mundo, em outro mundo; ao menos dentro de mim.
O que há em mim? Qual a forma? Beleza não há em mim. Ainda essa vez, murmuro nesse deserto. O sonho enlouquece?
II
Não sinto os demônios e males que esperava. E nem o pesar pelo sol que já amei. Não há beleza, emoções e lembranças. Tudo de que me lembro se tornou pó. Deus não mais existe. O sonho enlouquece...
III
A campa é de pedra. Alguém está deitado e olha para o céu. Nada se move. Um homem caminha em volta e não se importa. Não acredita mais no vazio do coração. Ele foi preenchido com as rochas de todas as multidões e coisas inúteis desse mundo. Ele sai e um portão se fecha"

VINGANÇA

Você gostaria de ser uma boa pessoa? Não é justo sentir paz quando quem você ama não atinge seus objetivos. Você terá sorte se não pisarem na sua desgraça.