Anoitecer como em um eclipse; como se sentir em um presente nunca
vivido, mas do qual nunca se duvidou. O tempo pode fazer o seu papel e o
coração relaxar. Ainda não acabou, entretanto. O que fazer para cumprir um
destino agora pressentido? Por mais que não se faça nada, já foi tomada a
decisão. Pense que o tempo pode não te dar chance amanhã. Aconteça o que
acontecer. E não adianta falar em dor. O coração pode se acelerar pelo dia seguinte,
por muito tempo. Mas a noite não será esquecida. (Abençoada pelo sol que
abraça).
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Anoitecer
Nem sempre à luz e, mesmo, à bela sombra que se espera. Você também tem
vontade disso ou daquilo. Pare para pensar ou apenas preste atenção em quem e
no momento em que se pode fazer as coisas.
Mesmo as lembranças mais caras. Por mais que se queira se defender
nelas, será uma mentira que se tornará vergonhosa. O tempo é maior do que as
lembranças e, no fundo, não se quer acabar com ele. Não é questão de se fugir,
apesar da dor. Os outros veem, quem você ama vê... e Deus vê. Pode ainda não
ser questão de se escolher, pois isso já foi feito. O tempo está cobrando e ele
pode ser a vida em um momento exato.
Senancour (Tradução e Adaptação de trecho de "Oberman")
"Minha situação é doce e eu levo uma vida triste. Estar aqui não
pode ser melhor: livre, tranquilo, com saúde, sem interesses, indiferente
quanto ao amanhã - de que não espero nada - e esquecendo sem pesar o passado
que eu não vivi. Mas há em mim uma inquietude que não me deixa. É uma
necessidade que eu não entendo, que me comanda, que me absorve, que me eleva
além dos seres perecíveis... Vós vos engana, e eu engano a mim mesmo. Não é
necessidade de amar. Há uma grande distância do vazio do meu coração ao amor
que ele tanto almeja. Mas há um infinito entre isto que eu sou e isto que eu
quero ser. O amor é imenso, mas não infinito. Eu não quero gozar; eu quero
esperar. São necessárias paixões sem limites, que se distanciam para me enganar
sempre. Que me importa o que pode acabar? Eu amo apenas o que parte, se
aproxima, chega, mas não existe. Eu quero um sonho, uma esperança, enfim, que
esteja sempre diante de mim, mas além de mim, maior que minha própria espera,
maior que tudo aquilo que passa; maior que a vida e o mundo. (Deus não existe).
Santa Teresa de Ávila
"Tudo me parece sonho, o que vejo - e que é uma brincadeira - com os olhos do corpo. O que eu já vi com os olhos da alma é o que ela deseja e, quando se vê longe, isso é o morrer" (Santa Teresa de Ávila)
Esse é um trecho da autobiografia da católica e mística Santa Teresa de Ávila até perto de seus cinquenta anos, na segunda metade do século XVI. O texto foi pedido por seus confessores, mas tem valor literário que permite ao leitor não necessariamente religioso apreciá-lo. Em "As Fundações", Santa Teresa discorre sobre a abertura de dezesseis mosteiros da Ordem Carmelita, as Descalças, obra que, cronologicamente, cobre a época posterior à fundação do primeiro mosteiro. Por fim, e,há quem diga, sua obra-prima, "O Castelo Interior ou As Moradas", descreve os sete níveis da alma em seu caminho para a perfeição espiritual, trabalho escrito a partir do estímulo de uma visão interior na véspera de um importante evento católico.
Quanto à minha leitura, pretendo terminar esse e obter os outros dois livros. A partir deles, quero compor o texto e o espetáculo de um monólogo. Mesmo que irregularmente, há anos que interpreto personas femininas em performances individuais. Recentemente, meu programa era desenvolver determinada imagem de Maria Madalena. Enquanto no texto "Salvação" - o qual consta nesse blog - esta mulher só intui a intensidade e a abrangência de sua união com Cristo, em Santa Teresa essa experiência é representada de modo muito mais objetivo. Ela refere visões de Cristo, anjos, demônios, companheiros religiosos já finados, a Virgem Maria, profecias de curas e mortes, etc. Chega a dizer da comunicação com boa parte desses entes. Digamos que o "Livro da Vida" é a obra que Maria Madalena não escreveu; e, essa é minha expectativa, parte da obra da mística é a expressão da vida interior perfeita, acabada no caminho escolhido por ela.
Esse é um trecho da autobiografia da católica e mística Santa Teresa de Ávila até perto de seus cinquenta anos, na segunda metade do século XVI. O texto foi pedido por seus confessores, mas tem valor literário que permite ao leitor não necessariamente religioso apreciá-lo. Em "As Fundações", Santa Teresa discorre sobre a abertura de dezesseis mosteiros da Ordem Carmelita, as Descalças, obra que, cronologicamente, cobre a época posterior à fundação do primeiro mosteiro. Por fim, e,há quem diga, sua obra-prima, "O Castelo Interior ou As Moradas", descreve os sete níveis da alma em seu caminho para a perfeição espiritual, trabalho escrito a partir do estímulo de uma visão interior na véspera de um importante evento católico.
Quanto à minha leitura, pretendo terminar esse e obter os outros dois livros. A partir deles, quero compor o texto e o espetáculo de um monólogo. Mesmo que irregularmente, há anos que interpreto personas femininas em performances individuais. Recentemente, meu programa era desenvolver determinada imagem de Maria Madalena. Enquanto no texto "Salvação" - o qual consta nesse blog - esta mulher só intui a intensidade e a abrangência de sua união com Cristo, em Santa Teresa essa experiência é representada de modo muito mais objetivo. Ela refere visões de Cristo, anjos, demônios, companheiros religiosos já finados, a Virgem Maria, profecias de curas e mortes, etc. Chega a dizer da comunicação com boa parte desses entes. Digamos que o "Livro da Vida" é a obra que Maria Madalena não escreveu; e, essa é minha expectativa, parte da obra da mística é a expressão da vida interior perfeita, acabada no caminho escolhido por ela.
Salvação
De
noite em minha cama, busco aquele a quem minha alma ama. Onde está o seu
corpo?! Quem me devolve?! Eu queria tanto ficar com ele... Estávamos juntos e
meu peito ardia. Meu amor tornou-se tão forte quanto o seu perdão. Mas não dava
para falar isso. Todos queriam ficar com ele. Não dá para falar agora. É para
pensar na morte.
Não
consigo pensar direito e outras coisas despertam em mim. O espírito destroi a
carne? O Espírito de Deus e do amor; a carne, o amor; eu toco o seu corpo; eu
toco o corpo místico de Cristo.
A
vida é curta e eu queria que meu coração sempre saltasse. Juntei-me a todos que
perdiam a razão... O que há neste mundo?! Creio que há mistério. Tenho sede de
infinito. Agora!
A
vida passa, marca como pode. O amor? Alça-me, Senhor, ao teu mundo dentro do
amor e da morte.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Hesitação
Abaixa
a cabeça, amigo que não vejo. Nós sabemos que nosso caminho pode nos jogar na
mentira. Teremos coragem de nos olharmos algum dia? Deixa pelo menos apertar
sua mão. Podemos esperar por Deus enquanto choramos e brigamos com nós mesmos? Olhe
para o céu, mas também olhe aí à frente.
Essa situação tem mais chances de piorar. Teremos que fechar nossos
olhos e sairmos para brigar pelo pão do diabo.
Resignação
Aquilo
que é realmente belo está acima de Deus. (Até da morte). Sangramos até a morte
e não salvaremos nossa alma. Mas a vida também nem sempre é boa. Sofremos por
algo que é maior do que tudo. Esse horizonte não acabará nunca.
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