quarta-feira, 15 de outubro de 2014
UM QUARTO
Por maior que ele seja, o amor é basicamente solitário? Ou não se quer reconhecer isso? Enquanto se está com quem se ama, pode não haver tempo para perceber certas verdades. Mas o que se pode pensar quando se está só? Até onde será ilusão o darmos ao outro o que temos de mais caro? Levar isso tão a sério pode ser uma maneira de não perder esse amor.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Performance de "Maria Madalena" - Ensaios
Ensaiei durante dois dias para fazer o teste no Estação Madame hoje. Pretendo mostrar uma performance da figura de Maria Madalena. Usarei figurino. Um vestido negro medieval e uma colcha também negra. Esta servirá como cenário.
Meu objetivo é ser aprovado para mostrar meu trabalho na próxima edição do evento, que é na virada de quinta para sexta-feira. Pelo menos, entendi que já poderia me apresentar nessa ocasião.
Não sei se consigo passar, mas verificarei a possibilidade de continuar me aprimorando e fazendo teste até conseguir. Preciso fazer cada vez mais teatro para render no curso puxado que faço no ETA (Estúdio de Treinamento Artístico). Até estudante universitário faz essa escola por causa do seu rigor. Eles também esperam que o aluno busque o máximo de experiências possível fora das aulas.
Fico curioso se for o caso de eu levar Maria Madalena regularmente para a cena. Até que ponto eu poderia melhorar? Sentirei mais orgulho da personagem? Eu só fiz uma apresentação, que foi na segunda edição do Sarau no Jardim de Perséfone, em março desse ano.
Nos últimos ensaios, introduzi coisas novas e me tornei consciente de outras que poderia melhorar. No segundo caso, aumentar a força da voz, variar a expressão facial e aproveitar melhor o espaço da cena para a movimentação não se tornar repetitiva e isso contribuir para um eventual desinteresse do público.
Quanto às novidades, elas têm muito a ver com o que treinei no ETA. Por exemplo, não dar as costas para o público. Outra, deixar o rosto sempre visível para ele. Na minha interpretação dessas orientações, o objetivo é trabalhar captar ao máximo a atenção do público. O método de que deriva esses exercícios é o do realismo de Stanislavski, que visa a produzir na audiência a ilusão de o que está sendo mostrado na cena ser muito parecido com a realidade. Certamente, não é um teatro experimental. Calhou de eu me predispor a essa visão de atuação por conta de, há alguns meses, ter interrompido o contato com literatura experimental e estar me dedicando a projetos com romances do século XIX, mais clássicos.
A mais importante inovação é, indubitavelmente, o improviso. O texto era o mais importante no passado. Agora, ele funciona como base, mas não exige uma declamação literal. Com o improviso, posso inserir mudanças no texto em plena apresentação. Lógico, desde que não saiam da lógica da personagem e da ideia central. Para o ETA, improviso é tudo. E vamos lá.
sábado, 4 de outubro de 2014
ETA - Ensaio em 05/10/2014
ETA
Amanhã começo a ensaiar com o grupo com que apresentarei um espetáculo no final do semestre no ETA (Estúdio de Treinamento Artístico). As três primeiras aulas me pareceram eliminatórias. Minha confiança no meu talento artista chegou ao limite. Improviso é a base da formação do ator nessa escola. Para mim, improviso era a pior coisa possível para um artista. Quer dizer, se ele conseguir fazer dar certo, está no lucro, levando-se em conta a delicadeza da situação. Mas não seria ocupado muito tempo de sua preparação com o improviso. Por incrível que pareça, tive que aprender a usar o bom senso e a relativizar algumas coisas que o ETA, teoricamente, exigia no material de aula que eu tinha recebido, além das informações preciosíssimas do site. Agora é hora de equilibrar o Laguna sistemático e o Laguna do FDS.
É só no grupo que o improviso, pensei, pode fazer sentido para mim. Será mais fácil guardar cara, nome, voz, corpo, movimentação, o jeito, em geral, da turma. Sem contar que há merdas, alegrias e rotinas que podem acontecer por conta das relações pessoais, obviamente. E isso por alguns meses.
Conseguimos fechar um local para ensaiar e temos, ao menos, duas ideias para escolhermos uma para nossa primeira cena. Nos reuniremos às onze horas e já iremos direto para o ETA, às 13h30. Uma colega propôs a iminência do encontro entre um, digamos, nerd solitário e uma garota maravilhosa. Pecado meu, mas não consegui entender a ideia da outra colega. Sei que o tema também era falha de comunicação em redes sociais. Mas era bem mais complexa a proposta. Se se mantiver as coisas como estão, escolherei com certeza a inciativa da primeira moça. Daria para fazer, dessa forma, um trabalho mais concentrado, nesse contexto de tantos aspectos a serem tratados.
É um ponto eu não ter muita noção de feriado ou algo equivalente. Votarei e logo irei ensaiar. Durante toda minha vida na universidade, minha folga era no final de semana. Não “entendo” quando o feriado é na semana. Tanto que até hoje, só em último caso eu abro mão do final de semana.
Nossa cena deverá ter cinco minutos e a mostraremos na aula. Fico curioso a respeito de duas horas ser tempo de sobra para quase dez pessoas discutirem ideia, personagem, conflitos, improvisar, etc. Quer dizer, é muito intenso, mexe com o coração, fazer esse monte de coisas e com um monte de gente? Nunca tive a experiência. Imagina um trabalho desses sendo impiedosamente julgado por professor e alunos. E digo impiedosamente porque também faço o mesmo. É comum se ouvir nas aulas “está uma bosta” da parte do professor. Eu lembro de um outro professor que tive. Se não comprometer a autoconfiança, dá para ter bom humor.
Amanhã começo a ensaiar com o grupo com que apresentarei um espetáculo no final do semestre no ETA (Estúdio de Treinamento Artístico). As três primeiras aulas me pareceram eliminatórias. Minha confiança no meu talento artista chegou ao limite. Improviso é a base da formação do ator nessa escola. Para mim, improviso era a pior coisa possível para um artista. Quer dizer, se ele conseguir fazer dar certo, está no lucro, levando-se em conta a delicadeza da situação. Mas não seria ocupado muito tempo de sua preparação com o improviso. Por incrível que pareça, tive que aprender a usar o bom senso e a relativizar algumas coisas que o ETA, teoricamente, exigia no material de aula que eu tinha recebido, além das informações preciosíssimas do site. Agora é hora de equilibrar o Laguna sistemático e o Laguna do FDS.
É só no grupo que o improviso, pensei, pode fazer sentido para mim. Será mais fácil guardar cara, nome, voz, corpo, movimentação, o jeito, em geral, da turma. Sem contar que há merdas, alegrias e rotinas que podem acontecer por conta das relações pessoais, obviamente. E isso por alguns meses.
Conseguimos fechar um local para ensaiar e temos, ao menos, duas ideias para escolhermos uma para nossa primeira cena. Nos reuniremos às onze horas e já iremos direto para o ETA, às 13h30. Uma colega propôs a iminência do encontro entre um, digamos, nerd solitário e uma garota maravilhosa. Pecado meu, mas não consegui entender a ideia da outra colega. Sei que o tema também era falha de comunicação em redes sociais. Mas era bem mais complexa a proposta. Se se mantiver as coisas como estão, escolherei com certeza a inciativa da primeira moça. Daria para fazer, dessa forma, um trabalho mais concentrado, nesse contexto de tantos aspectos a serem tratados.
É um ponto eu não ter muita noção de feriado ou algo equivalente. Votarei e logo irei ensaiar. Durante toda minha vida na universidade, minha folga era no final de semana. Não “entendo” quando o feriado é na semana. Tanto que até hoje, só em último caso eu abro mão do final de semana.
Nossa cena deverá ter cinco minutos e a mostraremos na aula. Fico curioso a respeito de duas horas ser tempo de sobra para quase dez pessoas discutirem ideia, personagem, conflitos, improvisar, etc. Quer dizer, é muito intenso, mexe com o coração, fazer esse monte de coisas e com um monte de gente? Nunca tive a experiência. Imagina um trabalho desses sendo impiedosamente julgado por professor e alunos. E digo impiedosamente porque também faço o mesmo. É comum se ouvir nas aulas “está uma bosta” da parte do professor. Eu lembro de um outro professor que tive. Se não comprometer a autoconfiança, dá para ter bom humor.
sábado, 27 de setembro de 2014
Visita
I
Acorda-se
de um sonho com a visão embaçada. Ainda não acabaram seus efeitos, seus
desejados efeitos, e olha-se para o céu brilhante - mas enevoado. Uma visão
embaçada, um brilho nos olhos de fantasma. São olhos vaidosos, solitários. Uma
brilhante solidão. Sorri-se como se nada ao redor importasse. Não há dúvida de
que seja vaidade: transformar o céu na própria imagem confusa que vem do
interior.
É
o passado, transformado pela imaginação de seu desejo sombrio. Pode ser uma
ilusão. E ela pode demorar se à volta estão as pessoas a quem se ama. (Todos
veem seus olhos vidrados).
Será
um passado ilusório, mas completo - mais que completo. Sabe-se que o futuro
existe. Mas não há necessidade alguma de se pensar nele.
O
que há, no fundo, não é o amor, mas a vaidade dessa brilhante ilusão. Não é o
amor de si próprio. É a negação da própria vida ao se controlar o que está
dentro e transformá-lo em rabiscos que podem ser aperfeiçoados infinitamente.
Rabiscos próximos às pessoas a quem se ama. Um mundo dentro da morte; mas o
amor, à reboque.
II
Surdo
aos que o amam, o sonhador desvia o olhar para alguém que está longe, mas em
sua direção. Eles se olham e aparentemente se conhecem. Porém, estão
impassíveis. O sonhador e o visitante dirigem-se a uma sala que surge no ar
impregnado com a visão embaçada do primeiro. Lá encontram apenas duas poltronas,
sentam-se conversam:
-
Você lembra dessa sala?
-
Sim, foi há muitos anos. Mas havia muita gente e estávamos em festa. Você me
surpreendeu, vestido de uma maneira completamente estranha para a ocasião e se
dirigindo a mim como se falasse em um poema.
-
Não havia o que fazer. Nem agora há. Na época fez todo o sentido para você
acreditar que nossos corpos podem desenvolver uma eternidade específica. Quer
dizer, dependendo de como a luz incide em nós, somos velhos ou novos. Também
falei sobre isso não ser um dom. Como é comigo, o seu coração encheu-se de um
desejo de autodestruição constante. Uma angústia sem limites, pois não podemos
mais tirar a própria vida. Como você se sente agora?
-
Minha vida não dependia mais de mim, eu era um autômato. Porém, não enlouqueci
para que mantivesse a consciência. Algo fez isso comigo. Se é que o tempo é
para nós o que é para os outros, a única coisa que podia fazer era contemplar
minha desesperança. Quer dizer, logo fui tomado pela convicção de que não
haveria mais esperança e esse sentimento não cessaria. Minha rotina passou a
ser a reflexão completamente inútil sobre essa desesperança. O que eu posso dizer? Para haver reflexão,
deve haver algum espaço para a serenidade e a paz. No entanto, esses
sentimentos estão contaminados por causa de todo esse processo que você
descreveu. Essa paz e serenidade são, agora, impressões de uma morte que está
sempre por vir. Como você está?
-
Nosso encontro é fortuito e inútil. Mas estamos conversando. Quando você
apareceu, eu tinha acabado de sonhar. Eu pensava sobre o amor e em como sou uma
pessoa ruim. Não sinto pesar, pois você sabe que nosso hábito de refletir sobre
sentimentos afasta as pessoas, nossas emoções são artificiais. De tanto pensar,
o amor tornou-se uma espécie de minério. Aquele mesmo que vivi e o que
continuamente destruo. Eu não amo as pessoas. E elas se enganam por algum
tempo. Como vivo um contínuo sentimento de autodestruição, não tenho esperança
alguma em minha bondade. Não dá mais para acreditar que há a bondade nas
pessoas e admirar isso, amar isso.
-
Eu também não tenho interesse nenhum naquilo que faço. Realmente, nosso encontro
é fortuito e inútil. Não te procurei, não te amo. Você também não me ama. Olhamos
um para o outro apenas para ver nossa desesperança. Sou tão indiferente que não
há em mim absolutamente nenhuma possibilidade de acreditar que, supondo a
existência de Deus, haja nele ainda algo de bondade e amor. Eu não me comovo. Isso
só me veio à mente agora porque somos não um, mas dois desesperados
aproveitando essa ocasião para, juntos, aprimorarmos nossa convicção de que, em
um momento, simplesmente não entenderemos as outras pessoas.
Rolê
Em
quase dez anos, eu nunca imaginei que poderia ter tanto envolvimento com o
rolê. Semana sim, semana não, eu ia ao Madame Satã e congêneres. A minha
desculpa para não ser mais assíduo era que meu corpo não se adaptava muito a
essa rotina. Porém, analisando essas duas últimas sextas-feiras, tenho que
rever meus conceitos.
Em primeiro lugar, dois programas muito
bons. No primeiro, discotecagem e
companhia excelentes. No segundo, dançando como um louco e, não atinava com
isso, escrevendo muito depois que cansei de dançar por horas.
Além disso, meu condicionamento físico
está bom. O fato de o teatro ser a minha vida faz com que eu procure estar com
a maior disposição possível para acompanhar, entre outras atividades, os
exercícios físicos que realizamos no ETA (Estúdio de Treinamento Artístico) no
domingo.
Dessa forma, e me programando bem
financeiramente, dá pra fazer algo todo final de semana. Nunca me imaginei
aproveitando o rolê dessa maneira.
Falei sobre a contribuição de meu
envolvimento com o teatro nessa nova experiência com a noite. Porém, escolhi um
dia que simplesmente bate de frente com a regra, que é o entretenimento virar
de sábado para domingo. Sexta-feira, só no Madame, ou em casos excepcionais -
como foi hoje -, o Cambridge.
Simplesmente perco noventa por cento do que poderia curtir. Fora outros programas
que não tem nada a ver com o rolê, repito, só no Madame tenho alternativa. Vou
ter que me virar.
sábado, 20 de setembro de 2014
Instante
Falsa
beleza e falsos pensamentos e sentimentos. Quem pode julgá-los? Quando pode
julgá-los? Quero acordar amanhã. Uma lembrança pode valer por uma vida inteira?
Despedir-me de uma boa lembrança. O que é belo pode não brilhar, mas ser
apreciado por quem deixa que ele siga seu próprio rumo.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Joana
Fonte
Times New Roman, tamanho 16, espaço duplo e três folhas. É a parte material do
texto em que vou basear meu monólogo. Seu nome é "Joana". Um dos
problemas que verifiquei depois de algumas declamações é que as frases são
muito longas. Aí, caio novamente na tentação de poesia lírica, que, no momento,
dificultaria minha formação como participante de companhia de teatro. Pela
primeira vez, fiz uma pesquisa de contexto bem maior do que em toda minha vida.
Creio que faltaram algumas coisas, mas, por ora, é o que dá para fazer.
Por
conta das entonações que quero dar, alguns movimentos e, o que chamo de música
interior, Joana é uma personagem poética, dependente da poesia, do que autônoma
enquanto constituição histórica. Quer dizer, ela só passa a ganhar vida para
mim enquanto as palavras que escrevi me estimulam. É a partir do
"barato" das palavras que me animo e construo a personagem dentro de mim.
O que é que isso vai virar? Eu não sei se tomarei espaço de gente que tenha
mais o que mostrar do que eu. Porém, vou me jogar no palco. Diante de algumas
coisas em que estou pensando, e da atitude que venho assumindo em relação ao
teatro ser meu destino, me permito a arrogância. Quem vai se ferrar, na pior
das hipóteses, serei eu mesmo. Se é que dá para falar em se ferrar; se é que isso
não é relativo.
É
estranho, mas essa atitude que julgo mais independente é algo com que nunca
tinha atinado antes. Tenho um projeto de vida depois de que o último foi
elaborado há mais de dez anos. Porém, naquela época, eu considerava o
reconhecimento externo. Não que isso não seja importante agora, mas é que fiz
muito tentativa-e-erro e estou escolhendo ser feliz com muito mais consciência
do que antes e, no limite, sabendo que ninguém irá me ajudar. Nessa situação,
parece que a “luta pela sobrevivência” faz com que eu explore mais determinadas
maneiras de tomar decisões e de me planejar para levar o projeto avante.
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